terça-feira, 28 de junho de 2011

Cada criança que nasce é sinal e semente de paz e bem para o mundo

Texto publicado no Jornal "O Santuário" de São Francisco das Chagas de Canindé

Caros romeiros e caras romeiras de São Francisco das Chagas de Canindé é com grande alegria e sempre confiantes na Graça de Deus que iniciamos mais um mês de julho em nossa caminhada de peregrinos e forasteiro nesta terra. Desta feita queremos relembrar e celebrar o nascimento de São Francisco de Assis, acontecimento muito importante e místico para todos aqueles e aquelas que são apaixonados por São Francisco e pela espiritualidade franciscana.

Segundo as fontes franciscanas ao retratarem a cronologia da vida de São Francisco dizem que em fins de 1182, provavelmente entre os meses de junho e dezembro nasce em Assis cidade situada no Vale de Espoleto na Itália, uma criança que é batizada pela mãe com o nome de João Pedro Bernardone. Seu pai ao regressar de uma viagem de negócios ao sul da França, muda-lhe o nome para Francisco.

Francisco era filho do comerciante Pedro Bernardone e de Dona Pica. Seus pais tinham raízes francesas e graças aos bons negócios faziam parte da burguesia de Assis. Francisco fora criado pelos pais no luxo desmedido e nas vaidades que o mundo oferecia. Na realidade era muito rico, mas não avarento, não era desejoso de dinheiro, mas gastador. Negociante nato e esperto, mas também homem capaz de agir com humanidade, jeitoso, atencioso e afável. No entanto, certo dia tocado pela graça de Deus, converteu-se ao Evangelho e seguiu as pegadas e ensinamentos de Cristo pobre e crucificado até o seu último dia de vida. Os dados relatados acima são os mais fiéis que existem, quando se trata da natividade (nascimento) e educação de São Francisco, considerando que, estão baseados nos escritos de seu contemporâneo e primeiro biógrafo Frei Tomás de Celano.

Ao relembrarmos a natividade de Francisco de Assis não podemos ficar presos somente aos dados físicos e cronológicos desse acontecimento, ou seja, o dia, a hora, o mês, o local dos fatos, os pais e a realidade histórica em que tudo se deu. O nascimento de um homem é uma realidade que vem de muito longe, de nossos antepassados, que vem do próprio Deus. Em cada recém-nascido encontra-se sintetizada e proclama-se a caminhada, a história e a busca de toda a humanidade. O ser humano não nasce por um mero acaso. Nascer é um acontecimento prenhe de sentido e místico, que precisa sempre ser valorizado e assumido como um dom e uma graça que Deus concede à humanidade.

Todos os dias vemos nascer crianças, e como filhos de Deus, seguidores do carisma e espiritualidade franciscana, não podemos ficar e ser indiferentes a tais acontecimentos, mas agir como os vizinhos de Zacarias e Izabel que ao verem o recém-nascido ficaram se perguntando: “O que será deste menino?” (Lc 1,66) e a partir daí contribuir com todos os dons que Deus nos deu, para que realmente cada criança se torne um verdadeiro sinal e semente de paz e bem para o mundo.

Com carinho e orações,

Frei Landes Marinho, ofm

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A sabedoria do amor: uma faísca de Iahweh


A sabedoria em Israel sempre esteve pautada na vida, no cotidiano e na história do povo. Foi assim que a sabedoria nasceu, desenvolveu-se e alcançou os mais diversos lugares, até mesmo a corte, chegando inclusive a ser personificada.

Se a sabedoria mantém estreita relação com o ser humano e aquilo que é sua essência, o bem viver, a felicidade e o louvor a Deus, ela não poderia deixar de tratar de um dos temais mais caros à vida humana que é o amor. Esta sabedoria do amor vem desenvolvida com grande intensidade na Sagrada Escritura através do livro Cântico dos Cânticos.

Atribuído a Salomão, figura representativa da sabedoria de Israel, o Cântico dos Cânticos até hoje é alvo de admiração e surpresa, de procura de sentido e interpretação, de estudo e contemplação. Por tratar de forma real, límpida e transparente o amor em todas as suas dimensões torna-se praticamente impossível a não identificação com o amado ou a amada. O Cântico dos Cânticos fala de sentimentos e desejos autênticos, inerentes ao homem e à mulher; fala da perfeição e da beleza deste amor, colocando no centro da vida esta experiência fundamental da humanidade; fala da verdade que anseia todo ser por completar-se, da procura constante por um outro tu.

Neste sentido, a linguagem a que recorre o autor ou redator final do livro se mostra de relevante importância, pois comunica não só fatos ou conceitos sobre o amor, mas antes a essência daquilo que foi experimentado, a verdade de alguém que ama. Através da poesia o autor toca em temas profundamente íntimos como o jogo de amor (4,9-15; 5-2-8), as relações sexuais (2,4; 7,12-13), e o corpo da mulher e do homem com todas as suas nuances (4,1-7; 5,10-16), compondo uma linguagem fortemente erótica mas ao mesmo tempo bela.

A multiplicidade de imagens é notável no Cântico dos Cânticos. O amor não pode ser descrito em uma palavra, por apenas uma comparação ou uma figura, nem mesmo em um único poema. Trata-se de uma realidade que escapa ao homem, que o transcende, por isso muitas são as imagens, palavras, formas e poesias que procuram explicitar um pouco deste mistério ainda que nenhuma delas o esgote. Por ser este um mistério tão amplo é que a sabedoria não procura definir ou compreender objetivamente o amor. A proposta do livro é de acolhê-lo assim como ele se revela na vida do ser humano. Diante deste mistério fala-se até certo ponto. Até certo ponto também há que ter a sabedoria para calar-se.

Desta forma, por mais que estudiosos e exegetas procurem uma lógica para a estrutura do livro ela sempre se mostra limitada. Não seria esta também uma característica do amor, de não ter lógica, de não se enquadrar em padrões pré-estabelecidos, de não aceitar esquemas, de romper com todas as barreiras sejam elas sócias, culturais ou religiosas? O amor é sempre aquele que possibilita o novo, que irrompe em vida nova. Isto se delineia ao longo dos oito capítulos do Cântico dos Cânticos, numa busca constante pela vida.

O livro Cântico dos Cânticos possui grande destaque no judaísmo. Além de ser o livro lido na principal festa judaica, a Festa da Páscoa, também seu título já nos orienta para sua importância. ‘Cântico dos Cânticos’ é uma forma de superlativo hebraico, assim como ‘Santo dos Santos’ e ‘Rei dos Reis’. Não seria sem motivo, portanto, a afirmação de que este é o mais belo dos cânticos: por tratar de um tema pessoal e ao mesmo tempo universal, que chega a quem quer que seja, indistintamente, alcançando e fazendo eco a todo coração humano.

A vida humana, conforme afirmamos anteriormente, sempre foi ponto de partida para a sabedoria bíblica. Assim como a sabedoria das coisas aparece com destaque no livro dos Provérbios, a sabedoria do amor ganha espaço no livro do Cântico dos Cânticos. Mas qual seria esta sabedoria do amor? Tomemos como texto chave o epílogo do redator final do Cântico dos Cânticos que, para muitos, se constitui chave de leitura para compreensão de todo o livro:

“Pois o amor é forte, é como a morte,

o ciúme é inflexível como o Xeol.

Suas chamas são chamas de fogo

uma faísca de Iahweh!

As águas da torrente jamais poderão

apagar o amor,

nem os rios afoga-lo.

Quisesse alguém dar tudo o que tem

para comprar o amor...

Seria tratado com desprezo. (Ct 8,6b-7)

O grande destaque que logo observamos beste trecho refere-se à força do amor. Ele é comparado inicialmente com a morte. O poema não diz que o amor é superior ou vencedor da morte nem mesmo que ambos estão competindo, antes quer dizer que, como a morte, o amor é persistente, perseverante, não desiste de seus objetivos, direcionando todas as forças para o amado. Notamos isso em todo o decorrer do livro. A procura pelo amado é incessante, a amada não desiste de encontrá-lo (1,7-8; 3,1-4; 5,6-7). Nada é capaz de deter: nem as águas da torrente, nem os rios. Esta força também se manifesta na densidade dos elogios com que são feitas as descrições tanto do amado como da amada (1,9-10.15-16; 2,1-3.9; 4,1-5.10-15; 5,10-16; 6,4-7; 7,2-10). Não são poupadas palavras, imagens e comparações. O ciúme apresentado aqui pode também ser traduzido como a paixão e Xeol refere-se a habitação dos mortos. Assim, o segundo verso reforça o verso anterior, ressaltando que o amor é tão exigente quanto à morte e supõe uma entrega total da pessoa. A ele ninguém poderá resistir.

Outro destaque relevante refere-se à gratuidade do amor. O amor não pode ser comprado. Sendo o amor uma marca indelével e eterna, deve ser vivido com generosidade, como dom de Deus ao ser humano. Ao longo dos poemas esta verdade se traduz em formas diversas, num constante convite a contemplar a natureza nas flores, nas árvores, nos frutos, no passeio pelos campos, (16; 2,11-17; 4,8.12-16; 7,12-14) e a festejar, celebrando a vida e o amor (1,4; 3,11; 5,1). A gratuidade envolve o tempo e nisto o amor é também exigente. Não poucas vezes se repete o conselho “não desperteis, não acordeis o amor, até que ele o queira!” (2,7; 3,5; 5,8; 8,4). O amor possui o seu próprio tempo. Quem possui a sabedoria do amor sabe: ele não pode ser forçado, adquirido ou comprado, ele vale muito mais que ouro e prata, é graça. Apesar de algo intrínseco ao ser humano o amor o excede, não pode ser açambarcado pelo homem, pois o ultrapassa situando-se na fronteira com o divino.

Neste sentido o termo “faísca de Iahweh” se exprime como chave principal para compreender o amor e sua sabedoria. Esta é a única vez que o nome de Iahweh é empregado no livro. Alguns estudiosos traduzem a expressão por “uma labareda de Yah” considerando não o nome de Deus, mas como um superlativo literário. A partir do que expomos anteriormente, esta partícula se mostra como ápice de todo o livro porque revela, ainda que não plenamente, a sabedoria do amor e a mensagem do Cântico dos Cânticos. A expressão continua a mesma intensidade literária dos versos anteriores, ressaltando a força do amor. Agora, porém, revela que este amor possui uma relação estreita e tênue com algo divino, superior e que excede o próprio ser. Como um relâmpago que une o céu e a terra o amor une Deus e o homem. Como um raio que com sua força consome ao mesmo tempo em que dissipa as trevas, divide os ares e manifesta o poder da criação, assim é o amor: intenso, cheio de energia, atinge toda pessoa e o religa à sua força vital, o próprio Criador. É como se de repente tudo ficasse mais claro, uma verdade nos fosse revelada, nos tornasse mais acessível ainda que não de todo compreensível porque sendo é parte também do mistério divino.

Através dos Cânticos dos Cânticos compreendemos melhor a sabedoria do amor. Como em toda a sabedoria de Israel ela está sempre relacionada a Iahweh. Assim não é contrário afirmar que o amor é uma faísca de Iahweh, pois Deus só se revela no humano, partindo de suas realidades mais autênticas e universais. Diversas foram as interpretações ao longo dos séculos sobre o Cântico dos Cânticos. Partidários de uma leitura mais literal, do amor humano, e de uma leitura mais espiritual e analógica, fazendo relação entre Deus (o amado) e o seu povo (a amada). A partir do que refletimos podemos constatar que ambas as interpretações não se excluem, ao contrário, se completam. É preciso, porém, considerar que houve uma experiência concreta de amor tão intensa entre duas pessoas a ponto de ser digna do reconhecimento da presença de Deus por parte da comunidade que via ali a sua própria experiência de fé. Isso implica afirmar que tudo que se diz no Cântico dos Cânticos, toda sua linguagem erótica, toda a intensidade dos sentimentos, toda entrega e toda doação mútua são verdadeiros e reais, não nos deve causar qualquer mal-estar. O amor foi confirmado por Deus como parte Dele doada ao homem. Vivendo o amor como humano se vive em estreita relação com Deus.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dores de parto, dores de agonia

A vida humana é sempre surpreendente e misteriosa. Ao mesmo tempo em que proporciona bons e agradáveis momentos também nos impõe momentos difíceis e de grandes angústias. Nossa sensibilidade seja ela física, psicológica ou espiritual nos permite sentir as dores da realidade que nos cercam e nos afetam de uma forma ou de outra. Não somos pedra, somos carne, somos gente que sente, gente vulnerável aos acontecimentos que se passam ao nosso redor.

A Campanha da Fraternidade de 2011 nos propôs o tema das dores para refletir a situação da criação nos dias atuais. Convidou-nos a contemplar e meditar mais detidamente a passagem de São Paulo na Carta aos Romanos que diz: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22). Sábio também foi o hino da mesma Campanha que nos convidava a discernir: as dores da criação são de parto ou de agonia? E continuava afirmando que a resposta dependia exclusivamente de nós.

Mas o que seriam dores de parto e dores de agonia? A Palavra de Deus sempre emprega o termo ‘dores de parto’ para se referir a uma situação de angústia, mas da qual nascerá uma nova realidade. Basta olhar, e as mulheres dão testemunho a este respeito, o que são as dores de um parto: dores que não permanecem, porém que se obrigam necessárias para o nascimento de uma nova vida. E a vida nova que surge dá novo sentido, dá novo significado às mesmas dores vividas. Dores de parto não deixam de ser dores, de trazer consigo o sofrimento e a aflição, mas apontam para um novo mundo, uma nova realidade que está prestes a surgir.

A expressão ‘dores de parto’ sempre foi usada pelos profetas para trazer esperança ao povo diante das invasões estrangeiras, para suscitar esperança no reino messiânico que haveria de vir (Is 13,8; 26,17; 66,7; Jr 6,24; 13,21; Mq 4,9-10). Jesus a utiliza anunciando definitivamente a vinda do Reino de Deus com sua justiça (Mc 13,8; Jo 16,20-22). Em último sentido a própria morte de Jesus na cruz foi uma dor de parto, pela qual vida nova nasceu com sua ressurreição para todos os seus discípulos. Os primeiros cristãos, perseguidos pelos judeus do farisaísmo e pelo Império Romano experimentaram também as dores do parto (Ap 12,2; 1 Ts 5,3) e continuaram perseverantes, acreditando Naquele que teria o poder de vencer todas as dores, de criar novos céus e nova terra (Ap 21,1).

Bem diferentes são as dores de agonia. Elas representam a destruição total, o poder da morte. Este poder, entretanto, não prevalece. Neste sentido a Bíblia cala-se, quase não fala em dores de agonia porque sabe que o poder de Deus é vencedor. É Ele que acompanha o seu povo e o fortalece para que o poder da morte nunca possa vencer, pois ele é um poder passageiro, transitório, que dura pouco tempo (Mt 16,18; Ap 20,6).

A criação continua a gemer... o apelo que continua para nós é para não desanimarmos na fé, para continuar nossa luta, mesmo em dores angustiantes de parto. A criação pede socorro, espera conosco pela redenção. Não sejamos nós os que transformarão as dores de parto em dores de agonia. Eis nossa responsabilidade: cuidar do jardim que o Senhor plantou e a nós encarregou de cuidar (Gn 2,8-16). Façamos da vida nossa bandeira, acendamos com novas atitudes um farol de esperança em meio a tanta escuridão.

Frei Marcos Carvalho, OFM

domingo, 20 de março de 2011

Boa Notícia deste 2° Domingo da Quaresma

Evangelho de Mateus 17,1-9

Naquele tempo, 1Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. 2E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. 3Nisto apareceram-lhe Moisés e Elias, conversando com Jesus.

4Então Pedro tomou a palavra e disse: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. 5Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o!” 6Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. 7Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantai-vos e não tenhais medo”.

8Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. 9Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”.

A pedagogia do tempo quaresmal nos apresenta um caminho de conversão rumo à Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. No caminho muitas vezes acontece o desânimo, as quedas, as fraquezas, bate a vontade de desistir, de não continuar. Quando o caminho é árduo e exige muito de nós a primeira tentação é a fuga. Jesus, como vimos no domingo passado, vence as tentações porque está consciente de ser Filho amado de Deus e de sua missão que brota deste mesmo Pai com quem se relaciona em oração e escuta atenta de sua Palavra.

Caminhar sem rumo, sem ver o horizonte ou um sinal que nos mostre a beleza da chegada se torna mais difícil. Neste Segundo Domingo da Quaresma a liturgia da Igreja nos aponta um horizonte concreto: na experiência da transfiguração podemos antever nosso destino, sentir já um gostinho de Páscoa. Assim Jesus nos acena para sua vitória sobre a morte, nos prepara para os desafios da caminhada, para as cruzes a carregar (Mt 16, 24).

A visão (Mt 16,9) misteriosa que Jesus e os discípulos têm é experiência de Deus. A montanha é o lugar desta experiência, lugar do encontro: foi na montanha que Moisés recebeu as tábuas da Lei (Ex 24,12-18); foi na montanha que o profeta Elias fez experiência de Deus encontrando-o na brisa leve (1 Rs 19,9-13); foi na montanha que Jesus proclamou a nova Lei de Deus a seus discípulos, as bem-aventuranças (Mt 5,1-12) e é também na montanha que Jesus agora se transfigura diante de três de seus discípulos depois de conviverem um bom tempo com ele.

A estes discípulos, mais uma vez, a voz do Pai repete como no Batismo de Jesus: “Este é meu Filho amado, que muito me agrada” (Mt 3,17; 17,5). Agora, porém, acrescenta: “Escutem o que Ele diz” (Mt 17,5). Novamente o convite a permanecermos atentos a Jesus, ao que ele diz não somente por suas palavras, mas por sua vida: Prestem atenção ao que ele diz com sua entrega, com sua confiança em mim, com sua doação e fidelidade até a cruz. Este Jesus glorioso que vocês viram junto a Moisés e Elias cumpre plenamente a minha vontade. É ele mesmo que em nome do que diz morrerá na cruz, mas ressuscitará. Escutem-no! Por isso a recomendação de não contar a ninguém. É que tudo só fará sentido se tivermos a experiência com o Ressuscitado.

Nesta caminhada quaresmal escutemos mais a Jesus. Seu Evangelho - Boa-Notícia - para a qual somos convidados a nos voltar é boa notícia de vida, de ressurreição, apesar de tantos desafios e das renúncias que devemos fazer. Não percamos tempo, como Pedro, propondo estacionarmos no caminho, nos estabelecermos onde estamos e não progredirmos humana e espiritualmente. De que está servindo esta Quaresma para mim? Tento aproveitado este tempo para me renovar, rever valores e práticas antigas? Tenho olhado mais para Jesus, para o que ele diz com sua vida? Eis a boa notícia: Tenhamos coragem, pois mesmo diante das nossas quedas e fracassos na caminhada Ele se aproxima de nós, toca-nos e nos diz: “Levantem-se, não tenham medo” (Mt 17,6) pois “O Filho do Homem ressuscitou dos mortos”(Mt 17,9)! Ressuscitemos também nós com Ele!

Frei Marcos Carvalho, OFM